Património Mundial da Humanidade
Mosteiro de Alcobaça / Património Mundial da Humanidade
Património Mundial da Humanidade
Fundado pelo primeiro Rei de Portugal, D. Afonso Henriques, em 1153, a partir de uma doação a Bernardo de Claraval (França), o Mosteiro de Alcobaça é um dos maiores e mais bem preservados mosteiros cistercienses de toda a Europa, tendo sido inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO em 1989.
A Critérios de inscrição O Mosteiro de Alcobaça foi inscrito na Lista do Património Mundial da Humanidade em satisfação de dois dos dez critérios que a Convenção para a Proteção do Património Cultural e Natural (UNESCO, 1972) indica para que a inscrição de um Bem nesta Lista seja considerada:
Critério I - Por representar uma obra-prima do génio criador humano: Pelas suas magníficas dimensões, pela clareza do estilo arquitetónico, a beleza do material usado e a qualidade da construção, o Mosteiro de Alcobaça é uma obra-prima da arte gótica cisterciense. É testemunho da difusão de um estilo estético que se desenvolveu na Borgonha na época de São Bernardo e da sobrevivência do ideal ascético que caracterizou os primeiros estabelecimentos da Ordem como Fontenay. Os túmulos de Dom Pedro e Dona Inês constituem exemplos da melhor escultura funerária gótica.
Critério IV - Por ser um exemplo eminente de um tipo de construção ou de conjunto arquitetural ou tecnológico ilustrando um ou mais períodos significativos da História Humana: Por se tratar de um exemplo extraordinário de um grande estabelecimento cisterciense, preservando a maior parte dos lugares regulares medievais intactos (igreja, claustro e lavabo, sacristia, sala do capítulo, parlatório, sala dos monges, refeitório e dormitório dos monges), o engenhoso sistema hidráulico na antiga cerca monástica e a maioria das construções posteriores, de que se destaca a célebre cozinha construída no século XVIII.
B A Gestão de um Bem Património Mundial: uma avaliação contínua O aprofundamento do conhecimento científico sobre o monumento e o desenvolvimento do processo de gestão em curso na última década, têm vindo a proporcionar novas abordagens e a abrir novas perspetivas sobre o Bem, nas suas diversas vertentes de ação, desde a Identificação e conservação à sua fruição e promoção.
A reflexão proporcionada pelo 3º Ciclo de Relatórios Periódicos (2018-2024) no âmbito da Convenção para a Proteção do Património Mundial Cultural e Natural (1972), coordenado pelo Centro do Património Mundial (CPM), constituiu uma oportunidade extraordinária para a realização de uma análise introspetiva nas diversas áreas propostas pelo CPM, bem como para uma sistematização do estado do monumento relativamente às mesmas.
Em particular no que se refere à Declaração de Valor Universal Excecional (VUE) do Mosteiro de Alcobaça, adotada retrospetivamente em 2014, e através da qual o Estado português se comprometeu em preservar os Valores de Integridade e Autenticidade, foi constatada a necessidade da sua atualização num futuro próximo.
O exercício obrigou a repensar igualmente os atributos que justificam esse VUE e a sistematizar o seu estado (preservado, comprometido, seriamente comprometido ou perdido) e o seu grau de vulnerabilidade, face às ameaças que estes Bens enfrentam na atualidade.
C Os atributos que justificam o Valor Universal Excecional do Mosteiro de Alcobaça A resposta ao 3º Ciclo de Relatórios Periódicos (2018-2024) foi também uma oportunidade para se reverem os atributos que haviam sido anteriormente identificados e que constam da Declaração de VUE.
A sistematização dos atributos “que constituem a expressão material direta do Valor Universal Excecional”, é fundamental para a sua compreensão plena e, por conseguinte, foi imprescindível na (re)definição do processo de gestão do monumento, desenhado em função da sua Identidade.
No contexto desta reflexão, definiram-se 14 atributos principais: - A preservação do Espírito do Lugar. O mosteiro permanece um sítio que irradia Cultura e a igreja mantém a sua função cultual; - A íntima relação entre a propriedade e a paisagem envolvente, demonstrativa da capacidade dos monges para promover o ordenamento do território, ainda bem visível na área dos antigos Coutos de Alcobaça; - A nobreza e a qualidade do material usado na construção (calcário local), a perfeição do talhe e da colocação em obra, aspetos que contribuem para o ideal estético cisterciense; - A expressão do conhecimento da fisiografia na escolha do sítio para a implementação do mosteiro, assim como do conhecimento técnico na gestão dos recursos naturais, de que o engenhoso sistema hidráulico é um testemunho excecional; - A preservação da maior parte dos lugares regulares medievais, demonstrando a organização espácio-funcional de uma abadia cisterciense; - A preservação da maior parte das construções posteriores, que atestam as novas necessidades espácio-funcionais surgidas entre os séculos XVI e XVIII, em particular, a monumental cozinha; - A originalidade da conceção arquitetónica e as soluções construtivas adotadas, sendo inédita ao tempo a construção das três naves da igreja praticamente à mesma altura; - A intenção deliberada de a arquitetura traduzir perfeitamente a Espiritualidade cisterciense, refletindo o ideal estético da Ordem; - A importância histórica e simbólica da planta do Mosteiro de Alcobaça, uma réplica da mítica abadia medieval de São Bernardo de Claraval, perdida parcialmente no século XIX, casa-mãe de Alcobaça; - A qualidade de execução e a riqueza iconográfica dos túmulos de D. Pedro I e de Dona Inês de Castro, materialização da trágica estória de amor ainda hoje perpetuada através de múltiplas manifestações culturais; - O sistema construtivo único da vasta coleção de esculturas em terracota, na sua grande parte de dimensões supra-humanas, policromadas e douradas, produzidas nos séculos XVII e XVIII; - A preservação de pavimento cerâmico original in situ, no deambulatório da igreja; - A excecionalidade das esculturas italianas, em mármore de Carrara, da fachada da igreja e a sua leitura iconológica; - O conjunto de onze cedros centenários (cedrus atlantica) que subsistem na antiga cerca íntima monástica.
D Valores e significados Aos atributos estão associados valores (históricos, simbólicos, arqueológicos, arquitetónicos, artísticos, paisagísticos e ecológicos, naturais e ambientais, religiosos e espirituais, sociais e económicos), valores esses que podem ter diferentes significados ou graus de afetividade por parte da comunidade local, dos visitantes, e das entidades ou agentes que, direta ou indiretamente, participam ou são “afetados” pela gestão do Bem.
Por constituírem a base da Identidade do monumento, o seu peso e a sua interação são tidos em conta, dinamicamente, na estratégia de gestão integrada em curso.